Geladeira de duas portas encostada na parede de uma cozinha simples, ao lado de um armário de madeira, com luz de manhã entrando pela janela e piso de ladrilho vermelho

Quanto de energia gasta uma geladeira frost free por mês

Quanto uma geladeira frost free gasta por mês, e quanto isso custa na sua conta

Uma geladeira frost free consome 28,0 kWh por mês na mediana da etiqueta em vigor, dentro de uma faixa de 16,4 a 46,0 kWh. O número sai da coluna “Consumo Médio de Energia Mensal (kWh/mês)” da tabela do PBE/INMETRO. São 235 linhas de refrigerador-congelador com degelo automático, todas já declarando pelo Padrão 2025. Metade das linhas fica entre 25,0 e 30,9 kWh/mês.

Em reais, o resultado muda com o seu endereço. Os mesmos 28,0 kWh custam R$ 22,10 na ELETROPAULO e R$ 29,71 na ENEL RJ, pelas tarifas B1 residenciais homologadas e vigentes em 03/09/2026. Entre os extremos nacionais são R$ 14,96 e R$ 43,94, sem que nada mude dentro da geladeira.

A caixa na loja pode trazer outro número, 43,2 kWh/mês. É a mediana da coluna anterior da mesma tabela, o Padrão 2022, e ela ainda cobre a maior parte do que está exposto. Duas réguas, o mesmo tipo de aparelho.

Uma geladeira frost free mediana puxa 38,9 W médios ao longo das 720 horas do mês. Os 100 W contínuos que o cálculo de placa assume dariam 72 kWh, 2,6 vezes mais.

Para fechar o seu caso faltam dois valores que só você tem. O kWh/mês impresso na etiqueta da sua geladeira, e a tarifa impressa na sua fatura. A calculadora que junta os dois, recebendo o consumo mensal declarado, a tarifa em R$/kWh e o adicional de bandeira, ainda não está publicada aqui. Enquanto ela não entra, as tarifas por distribuidora estão na tabela mais abaixo.

Por que potência vezes 24 horas dá até seis vezes mais do que a geladeira gasta

O compressor liga e desliga o dia inteiro. Ele não puxa a potência de placa nas 24 horas. O fabricante escreve isso no guia do produto: “O ventilador não fica ligado o tempo todo e sua potência varia conforme a necessidade.” Na seção de ruídos normais, o mesmo guia da Consul CRM50MK descreve o instante da partida, quando o relê aciona e o compressor liga.

Os números que circulam por aí saem justamente dessa multiplicação. A Bulbe Energia publica a conta com esses termos: 0,1 kW × 24 horas × 30 dias = 72 kWh por mês. São 2,6 vezes a mediana real. O TechTudo repete o método com 250 W e chega a 180 kWh/mês, 6,4 vezes.

Procurar a potência no manual também não resolve. O Manual do Produto do CRM50MK traz a faixa de tensão admissível. Em 127 V, de 104 a 140 V. Em 220 V, de 198 a 242 V. Traz também a exigência de estabilizador de no mínimo 1000 W. Potência elétrica de operação e consumo ele não declara. O único “1000 Watts” do manual é o do estabilizador, que é dimensionamento de instalação.

A pegadinha. A potência de placa vale para dimensionar disjuntor e estabilizador, não para estimar consumo. O compressor liga e desliga, e o valor da etiqueta já contém esse liga e desliga.

A calculadora de consumo em kWh pela potência continua valendo para aparelho que puxa carga constante enquanto está ligado. A geladeira não é um deles, e é o contraexemplo canônico desse método.

A etiqueta mudou no fim de 2025, e o número da caixa mudou junto

A tabela vigente do PBE traz 1303 linhas de refrigeradores e assemelhados. Dentro delas, 620 são de refrigerador-congelador com degelo automático, o duplex que o brasileiro chama de geladeira frost free. Essas 620 linhas não estão todas na mesma régua.

RéguaConjuntoMenorMedianaMaior
Padrão 2025, etiqueta em vigor208 modelos, 235 linhas16,4 kWh/mês28,0 kWh/mês46,0 kWh/mês
Padrão 2022, etiqueta anterior364 modelos, 413 linhas16,4 kWh/mês43,2 kWh/mês78,1 kWh/mês

Menor, mediana e maior saem das linhas, não dos modelos, aqui e no resto do post. Somar as duas colunas numa média só é somar coisas diferentes, e é o que a maior parte das listas publicadas faz. Toda estatística deste post diz de qual coluna saiu.

O mesmo modelo, dois números. O Samsung RT38DG6120S9/FZ aparece três vezes na tabela vigente. Duas linhas declaram 391 L, 35,5 kWh/mês, IEE 52,59 e classe A+++ pelo Padrão 2022. A terceira declara 393 L, 28,0 kWh/mês, IEE 73,71 e classe B pelo Padrão 2025, com consumo diário de 0,6 e 1,2 kWh. É a mesma geladeira, medida por dois métodos.

A primeira página da tabela mostra as escalas convivendo. Um quadro traz “Classe de Eficiência Energética Padrão válidos até 29/06/2022”, com A, B e C. O outro traz “Classe de Eficiência Energética Padrão 30/06/2022 até de 30/12/2025”, com A+++ até C. A escala que vale hoje é a terceira, e a data de corte da anterior está escrita ali, no fim de 2025.

A temperatura da sua cozinha vale 2,4 vezes na conta

A etiqueta em vigor declara dois consumos diários para a mesma geladeira, medidos em duas temperaturas de ambiente. São as colunas que nenhuma lista publicada usa, e são as que explicam por que a conta de janeiro não parece a de julho.

Coluna da etiquetaMedianaPotência média equivalente
Consumo de Energia Diário a 16 °C0,50 kWh/dia21 W
Consumo de Energia Diário a 32 °C1,20 kWh/dia50 W
Razão entre as duas medianas2,4 vezes2,4 vezes

Medianas das 200 linhas que declaram as duas colunas diárias, de 235 no Padrão 2025.

A mediana mensal, 28,0 kWh, dá 0,93 kWh por dia. Cai entre os dois extremos do ensaio, mais perto do dia quente do que do frio.

Como a tabela chega de um valor ao outro não está declarado, e este post não inventa a conta que liga os três. Trate as duas colunas pelo que elas são: o piso e o teto do ensaio, com o seu mês em algum lugar no meio. Cozinha apertada, sol na parede e geladeira encostada no fogão empurram você para cima.

A faixa real das geladeiras frost free à venda hoje

O porte típico do conjunto sob a etiqueta em vigor é 467 litros de volume total na mediana. Metade das linhas fica entre 400 e 520 L. Nos décimos extremos, 380 e 617 L.

Volume totalLinhasMenorMedianaMaior
300 a 400 L5220,024,933,7
400 a 500 L10017,226,743,8
500 a 600 L5324,029,843,1
Acima de 600 L2629,338,046,0

Consumo em kWh/mês, coluna do Padrão 2025. As quatro linhas restantes das 235 declaram volume abaixo de 300 L.

Volume manda, e manda menos do que parece. O modelo mais econômico do recorte inteiro é a Tramontina 94897/003, com 16,4 kWh/mês em 233 L. No porte que quase todo mundo compra, o piso é 17,2 kWh/mês. Ele aparece em duas linhas da TCL, a P415TF e a P415TFW, ambas de 415 L e IEE 44,40. O teto do recorte, 46,0 kWh/mês, aparece em quatro linhas da Samsung, duas de 707 L e duas de 719 L. Todas são classe A.

Duas geladeiras da mesma faixa de 400 a 500 litros, e 2,55 vezes de diferença no consumo declarado.

A faixa de volume vai daqui até a interquartil e para. Em 24 das 499 linhas do recorte a soma dos volumes parciais não bate com o volume total declarado. A Consul CRM44MBBNA / CRM44AKBNA é a versão de 220 V. Ela declara 94 L de volume total com 283, 10 e 84 L nas parcelas, o que dá 377 L. A versão de 127 V declara os mesmos 94 L com 10 e 84 nas parcelas, que fecham. Com erro de digitação desse tamanho na ponta, mínimo e máximo de volume não são números para publicar.

A letra da etiqueta piorou e o consumo caiu, ao mesmo tempo

26 modelos declaram nas duas colunas, em 43 linhas. Deles, 20 declaram menos sob o Padrão 2025, com queda de 11% a 45% e mediana de 35%. Outros 6 repetem o mesmo número. Nenhum declara mais.

A letra andou na direção oposta. 24 dos 25 modelos com classe nas duas colunas caíram de letra. O Electrolux IQ8S saiu de A+++ para C enquanto o consumo declarado caía de 59,8 para 32,6 kWh/mês. O Continental TC42/TC42S saiu de A para C, de 55,7 para 33,7.

Trocar de geração dá o mesmo efeito na prateleira. O Consul CRM50F, de 410 L, declara 53,2 kWh/mês e classe A+ pelo Padrão 2022. O CRM50M, de 412 L, declara 32,1 kWh/mês e classe B pelo Padrão 2025, com 0,6 kWh/dia a 16 °C e 1,3 a 32 °C.

A queda de 35% não é melhoria de produto. É o mesmo aparelho, medido por outro método de ensaio. E as letras não se comparam entre safras. No recorte, o Padrão 2022 tem 309 linhas A+++, 37 A++, 43 A, 16 A+, 2 B e 5 C. O Padrão 2025 tem 203 A, 15 B e 16 C, sem nenhum A+ ou superior. Compare o kWh/mês, que é número.

Cinco linhas fora da conta, e por quê

Cinco das 620 linhas ficaram fora de todas as estatísticas acima. A regra é uma só: sai a linha cujo consumo mensal é aritmeticamente incompatível com os outros números que a própria linha declara.

Os dois testes que aplicam a regra. Intervalo diário. O consumo mensal dividido por 30 tem que cair entre os consumos diários declarados a 16 °C e a 32 °C. A mesma linha declara os três. O teste só roda quando o valor a 16 °C é menor que o de 32 °C. Com o intervalo declarado invertido, o número incompatível é o diário, não o mensal. É o que salva a Midea MDRB593FGD013, que declara 3,9 kWh/dia a 16 °C contra 1,0 a 32 °C. A Tramontina 94897/002 declara 4,9 contra 1,1, e também fica. Reprovam as Brastemp BRO90MKANA e BRO90MKBNA, com 4,4 kWh/mês, ou 0,15 kWh/dia, contra a própria faixa declarada de 0,80 a 1,60. E a Midea MD-RS710FGD281, com 13,3 kWh/mês, ou 0,44 kWh/dia, abaixo do próprio piso declarado de 0,50. As três linhas de mesmo porte e mesmo índice, 511 L e IEE 65,00, declaram 29,0. Índice de eficiência. O consumo dividido pelo IEE declarado é o consumo de referência, que só depende do volume e da configuração. A Continental TC56_TC56S aparece duas vezes, com os mesmos 481 L e o mesmo IEE 67,08, declarando 54,0 kWh/mês numa linha e 5,4 na outra. A Elanto LNTR3660BIPROO2 declara 4,7 kWh/mês com IEE 49,11 e 560 L, enquanto a LNTR3660FBIPROO2, de 556 L e IEE 49,42, declara 47,0.

Vírgula fora do lugar, digitada por quem preencheu o formulário. Sobram 615 linhas de trabalho. Outras 10, todas da marca HQ, não trazem consumo em nenhuma das duas colunas. Ficam fora de qualquer estatística de consumo por falta de dado, não por exclusão.

Tirar as cinco não move a mediana de nenhum dos dois padrões. Move só o piso da faixa. É por isso que a regra está escrita aqui, e não num rodapé.

A tarifa muda o resultado em quase três vezes

São 98 distribuidoras com tarifa B1 residencial convencional vigente hoje, de R$ 0,53416/kWh na CODESAM a R$ 1,56923 na CERES. Quase três vezes de diferença, 2,94 para ser exato, e nada disso tem a ver com a sua geladeira. A mediana nacional é R$ 0,79765/kWh. Ela sai dessas 98 e de mais nenhuma. O arquivo da ANEEL traz um agente chamado “Não Informado”, que é lacuna de cadastro e não distribuidora, e ele ficou fora da conta.

DistribuidoraTarifa B1 residencialResolução homologatóriaVigente desdeCusto de 28,0 kWh
ENEL RJR$ 1,06110/kWhREH 3.570, de 10/03/202615/03/2026R$ 29,71
EQUATORIAL PAR$ 0,97830/kWhREH 3.507, de 05/08/202501/01/2026R$ 27,39
CEMIG-DR$ 0,90329/kWhREH 3.589, de 26/05/202628/05/2026R$ 25,29
ELETROPAULO (Enel SP)R$ 0,78938/kWhREH 3.596, de 03/07/202604/07/2026R$ 22,10
CPFL-PAULISTAR$ 0,73945/kWhREH 3.579, de 22/04/202608/04/2026R$ 20,70

A tarifa homologada é o piso, não o valor da fatura. A ANEEL avisa na página de ranking o que falta ali. Esses valores não contemplam tributos como ICMS, PIS/Pasep e Cofins, nem a Taxa de Iluminação Pública, nem o adicional de bandeira.

O adicional de bandeira entra por cima do kWh. Na tabela de bandeiras da ANEEL atualizada em 08/01/2026, a amarela cobra R$ 0,01885 por kWh. A vermelha patamar 1 cobra R$ 0,04463 e a vermelha patamar 2 cobra R$ 0,07877. Nos 28,0 kWh da geladeira mediana isso vira R$ 0,53, R$ 1,25 e R$ 2,21. Qual bandeira está acionada muda mês a mês, e quem informa é a sua fatura.

O R$/kWh que vale para você é o da sua conta, com tributos e bandeira já dentro. É esse valor que a calculadora de custo mensal pela etiqueta precisa receber como campo, junto com o kWh/mês da ENCE. Ela ainda não está no ar neste site.

Quanto a geladeira pesa na conta da casa brasileira

A casa brasileira média consumiu 179,3 kWh por mês em 2025, do vale de 165,6 em junho ao pico de 199,0 em março. O cálculo sai do arquivo da EPE: consumo residencial dividido pelo número de consumidores residenciais, que eram 85.531.815 em julho de 2026, dado preliminar. Em 2026, até julho, a média está em 184,4 kWh/mês.

A geladeira mediana é 15,6% da conta da casa brasileira média. Pela etiqueta anterior seriam 24,1%, e pela conta de 250 W contínuos ela sozinha passaria da conta inteira da casa.

Ela é o aparelho de refrigeração da casa que mais consome, e por margem larga. A tabela abaixo põe todos os tipos na coluna do Padrão 2022, a única em que todos eles têm linhas suficientes para uma mediana.

AparelhoLinhasConsumo medianoVolume mediano
Frigobar10814,8 kWh/mês73 L
Duplex de degelo manual6120,4 kWh/mês206 L
Refrigerador de uma porta frost free11422,7 kWh/mês270 L
Freezer horizontal13028,7 kWh/mês200 L
Freezer vertical7532,4 kWh/mês232 L
Geladeira frost free41343,2 kWh/mês463 L

Cada linha sai de um conjunto só: as daquele tipo que declaram consumo na coluna do Padrão 2022, menos as reprovadas pela regra de exclusão. Nesta coluna a geladeira frost free declara 43,2 kWh/mês, e não os 28,0 do Padrão 2025 que abrem o post. São réguas diferentes, e comparar aparelho só vale dentro de uma delas.

A mesma regra reprova cinco linhas nos outros tipos. Três declaram 1,8 kWh/mês: a Agratto FG90-02, contra os 18,5 da FG90-01 de mesmo volume, e as duas HQ BD-100Q. As outras duas são freezers verticais. A Consul CVU18GBBNA declara 3,7 contra os 37,0 da CVU18GBANA, mesmos 121 L e mesmo IEE 84,28. A HQ BD-180U-220 declara 2,1 para 180 L, contra 21,0 e 26,8 nas linhas irmãs.

Consumo e volume medianos saem do mesmo conjunto, por isso a contagem está impressa na tabela. O duplex de degelo manual gasta menos por ser menor, não por ser mais eficiente: 206 L contra 463 L, na mesma coluna.

O contraste mais útil do site é com o ar-condicionado. A geladeira fica ligada os 12 meses e some no meio da fatura. O split aparece de uma vez no verão e desaparece no inverno. Os números dele estão em quanto um ar-condicionado de 9000 BTUs gasta por mês.

Como achar o número da sua geladeira em três minutos

  1. Pegue marca e modelo. Estão na etiqueta colada dentro do refrigerador, na plaqueta atrás do aparelho e na primeira página do manual.
  2. Procure o modelo na tabela do PBE. Confira o recorte pelas colunas “Tipo” e “Sistema de Degelo”, nunca pela palavra frost free no nome comercial. Existem refrigeradores de uma porta e congeladores verticais frost free que não são o duplex da sua cozinha.
  3. Veja em qual coluna o seu modelo declara. “Consumo de Energia Mensal (kWh/mês)” é o Padrão 2022. “Consumo Médio de Energia Mensal (kWh/mês)” é o Padrão 2025. Se o seu aparelho aparecer nas duas, o número do Padrão 2025 é o que compara com o de uma geladeira comprada hoje.
  4. Olhe as duas colunas de consumo diário, a 16 °C e a 32 °C. Cozinha quente joga o seu mês para perto do teto, e a razão entre as duas medianas é de 2,4 vezes.
  5. Leia a tarifa na sua fatura, em R$/kWh, com tributos e bandeira já dentro. É ela que transforma o kWh/mês da etiqueta em reais, e é o campo que muda de endereço para endereço.

Faça isso antes de trocar de geladeira, não depois do primeiro susto na fatura. Na faixa de 400 a 500 litros, o modelo que mais consome fica 2,55 vezes acima do que menos consome. Mesmo porte, mesma porta. Essa diferença está impressa na etiqueta antes de você pagar, e depois ela volta em toda fatura pelos próximos dez ou quinze anos.

Fontes

  1. INMETRO, tabela PBE de Refrigeradores e Assemelhados, atualização de 31/12/2025 Consultado em
  2. INMETRO, página de Refrigeradores do PBE Consultado em
  3. Guia Rápido do produto, Consul Geladeira CRM50MK, Whirlpool S.A. Consultado em
  4. Manual do Produto, Consul Geladeira CRM50MK, Whirlpool S.A. Consultado em
  5. ANEEL, dados abertos, tarifas de aplicação das distribuidoras Consultado em
  6. ANEEL, Ranking das Tarifas Consultado em
  7. ANEEL, Bandeiras Tarifárias Consultado em
  8. EPE, consumo mensal de energia elétrica por classe Consultado em

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